Seleção recebe 55 mil na Castelão, mas sofre com arbitragem

Brasil; Estados Unidos; Arbitragem
Em mais uma partida marcada por decisões incoerentes da arbitragem, Brasil é derrotado pelos Estados Unidos por 1 a 0 | Foto: CBF

O Brasil voltou aos gramados na noite de terça-feira, 9 de junho, para o seu segundo amistoso da última Data FIFA antes da pausa para a Copa do Mundo Masculina. Novamente contra os Estados Unidos, a Seleção recebeu as atuais campeãs olímpicas na Arena Castelão, em Fortaleza, no Ceará, diante de um público de 55 mil pessoas. 

Depois do primeiro amistoso, disputado na Neo Química Arena, que finalizou com um placar de 2 a 1 para o Brasil de virada, o Arthur Elias decidiu começar a partida com uma nova escalação. Após a lesão de Lelê no último jogo, Lorena voltou a ser a goleira titular, acompanhada de Isa Haas como única zagueira, além de Isabela e Mariza nas laterais. O meio de campo contou com a capitã Angelina, Ary Borges e Aline Gomes. Gio Garbelini fazia a conexão com as atacantes Gabi Portilho e Tainá Maranhão, que subiam pelas pontas, e Dudinha pelo meio. 

Foto: Lívia Villas Boas / CBF

Foto: Lívia Villas Boas / CBF

Primeiro Tempo 

A partida começou forte para ambos os lados, mas também com bastante permissividade por parte da arbitragem, que deixou passar diversos lances de falta para as duas equipes. Mesmo assim, Rose Lavelle, meia dos Estados Unidos, recebeu o primeiro cartão amarelo ainda nos primeiros 15’ após uma falta no contra-ataque de Gio. 

Aos 19’, a Lorena fez a primeira defesa do Brasil após Sophia Wilson invadir a área pelo lado esquerdo depois de fugir da marcação da Isa Haas.

Depois disso, o Brasil perdeu consideravelmente a posse de bola, e Gio chegou a ter um cartão amarelo por atrasar a retomada da partida poucos minutos depois da primeira grande chance da partida. As poucas tentativas que a Seleção Brasileira teve foram impedidas principalmente pela marcação estadunidense, mas a goleira Claudia Dickey também teve boas defesas para impedir que o Brasil balançasse as redes. 

Já em um momento complicado para a equipe da casa, Dudinha, atacante de apenas 20 anos, teve um choque com a zagueira Emily Sonnett aos 29’, deixando a brasileira no chão sentindo o joelho. Sem condições de continuar na partida, Dudinha foi retirada de campo de maca. No seu lugar, entrou Bia Zaneratto aos 32’, autora do segundo gol na partida de sábado, 6 de junho. 

Ao longo do restante do primeiro tempo, Gabi Portilho e Aline Gomes sentem lesões, com Portilho tendo desconfortos nas costas e Gomes caindo de mau jeito após uma disputa de bola com a lateral-esquerda Avery Patterson.

A Isa Haas chegou a balançar as redes aos 35’, mas o gol foi anulado na revisão do VAR por impedimento e o placar retornou ao 0 a 0. 

Aos 42’, ainda houve mais dois cartões amarelos: tanto Bia Zaneratto quanto Lindsay Heaps receberam a penalidade por conta de reclamações excessivas. 

Antes que o primeiro tempo acabasse, Lorena ainda teve que se esforçar em duas grandes defesas seguidas aos 47’, mas conseguiu evitar que as estadunidenses balançassem a rede. 

Segundo tempo

Para a segunda metade da partida, Kerolin e Ludmila voltaram para o campo no lugar de Gio Garbelini e Gabi Portilho, mas houve pouca alteração no ritmo de jogo. 

Em mais uma das decisões controvérsas e questionáveis da arbitragem da partida, Tainá Maranhão se viu caída no gramado ao lado da linha de fundo da área estadunidense após Michelle Cooper e Maranhão se complicarem na disputa de bola. Entretanto, quando Cooper se levantou, a atacante propositalmente pisou no joelho da brasileira, que imediatamente chamou a atenção da arbitragem, dizendo “Ela pisou! Ela pisou!”, mas a árbitra em campo não marcou nenhum lance irregular e mandou seguir. 

Sem muitas movimentações perigosas para nenhum dos lados – mas com um número muito maior de lances agressivos –, o Brasil teve dificuldades para marcar Sophia WIlson, que, aos 17’, conseguiu desviar de Isa Haas para finalizar de fora da área. Lorena estava preparada para fazer a defesa, mas a bola desviou na perna de Isabela, mudando de trajetória e deixando a goleira sem chances. 

A goleira brasileira ainda teve boas defesas – aos 26’, quando Trinity Rodman tentou ampliar de dentro da área, e aos 31’, quando Emma Sears também teve chances. 

A primeira expulsão da partida aconteceu aos 32’. Arthur Elias, que já tinha um amarelo, recebeu direto o vermelho – em vez da segunda penalização. A expulsão aconteceu depois do árbitro ter chutado a bola reserva, que estava num suporte na lateral do campo. Arthur já tinha recebido o primeiro amarelo por se recusar a vestir o colete no primeiro tempo, já que vestia uma camisa de cor semelhante à do uniforme da Seleção dos Estados Unidos. 

Apesar de correta a penalização pela atitude do técnico, a Seleção e a torcida cobravam da arbitragem mais coerência, já que o pisão sofrido por Maranhão não havia sido marcado. 

Em seguida, Arthur Elias deu as últimas orientações para Marta, Rafaelle e Kaylane, que entraram em campo no lugar de Tainá Maranhão, Mariza e Ary Borges, respectivamente. 

Ao longo do restante da partida, outras penalidades foram marcadas. Claire Hutton recebeu um amarelo após atrapalhar a saída de bola de Lorena, e Kerolin recebeu a mesma penalidade após reclamar com a arbitragem sobre a segunda expulsão da partida: outro membro da comissão técnica brasileira foi expulso com um vermelho direto. Marcelo Rossetti, preparador físico, foi mandado para fora de campo aos 45’. 

A arbitragem deu 10 minutos de acréscimo, mas só se passaram três para a próxima expulsão: Bia Zaneratto, que já tinha um amarelo, empurrou uma jogadora estadunidense após se estressar com a demora da equipe adversária em cobrar, que sentiu a mão de Zaneratto no topo do ombro, fez cara de dor – mas continuou de pé – antes de se jogar no chão para cavar o segundo cartão e tentar expulsar a atacante. Apesar de ser uma conduta desnecessária da brasileira, a arbitragem já tinha ignorado lances semelhantes ao longo de toda a partida, dando ainda mais razão para os argumentos de falta de critério da equipe de arbitragem. 

Antes da quarta expulsão, a goleira Dickey e a atacante Sears também foram amareladas: Dickey por sair da área com a bola enquanto a partida estava parada, e Sears por impedir a cobrança de uma falta brasileira aos 52’. 

Menos de um minuto depois, veio o quarto vermelho. A defensora Tarciane fez falta para impedir o avanço de Sophia Wilson para dentro da área brasileira, deixando o braço para impedir a atacante, antes de deliberadamente atingir a jogadora – o primeiro vermelho aceitável da partida. 

Na discussão, Marta também levou cartão amarelo por reclamar da arbitragem. 

Para pausar mais uma vez um jogo que já estava muito travado, os Estados Unidos fizeram a última alteração do jogo, retirando Sophia Wilson para a entrada de Aly Sentnor aos 45+11’. 

Com as diversas interrupções, a arbitragem adicionou mais dois minutos ao relógio, mas foi finalizar a partida apenas aos 45+14’. 

Final de Jogo 

Mesmo após o apito final, Kerolin e Ludmila também receberam cartões vermelhos após reclamarem com a arbitragem sobre as marcações. Ary Borges e Cris Gambaré – coordenadora das Seleções Femininas da CBF – foram conversar com o quarteto de arbitragem após os cartões, mas Ary foi afastada por membros da comissão técnica.

Apesar das críticas relacionadas ao desempenho de ambas as equipes dentro de campo, a pior atuação da partida foi definitivamente da arbitragem. Sem critério nenhum para a sinalização e a penalidade para as faltas e os lances, a principal árbitra estava claramente perdida dentro de campo, sem saber quando interromper e penalizar as jogadas e quando deixar a bola rolar. 

“Ter uma arbitragem dessa… Ela… Ela que pegou e queria ser a principal figura do espetáculo. Uma galera dessa [55 mil pessoas] vem assistir o jogo pra ela fazer uma palhaçada dessas. Sinto muito, desculpa, mas esse tipo de arbitragem não pode acontecer, principalmente num jogo contra Brasil e Estados Unidos”, disse Marta, indignada, ao final da partida. 

“É uma p*ta vergonha o que fizeram aqui hoje, sinceramente. Quarta árbitra não tem noção do que tá acontecendo dentro de campo, o VAR não funciona, aparentemente não checa nada, nossa atleta toma pisão e ninguém checa. Aí um empurrão aqui e ela quer começar a expulsar nossas atletas. Então, assim, é muito difícil. Uma das atletas, que deu uma entrevista falando que é uma atmosfera muito legal, em campo ela tava ali falando que a gente era uma m*rda, que a gente não sabia jogar bola. Então, assim, é uma p*ta falta de respeito tanto da arbitragem quanto das atletas de lá também, que falam, falam, falam, mas na hora do ‘vamo ver’, ali, quando não tem câmera, quer falar um monte de m*rda dentro de campo também [..]”, comentou Angelina após o final do jogo.

Logo em seguida, Angelina agradeceu à torcida pela presença e pela energia. Antes de deixar o campo, a capitã voltou a falar: “Em alguns momentos, eu achei muito desleal, sabe? Elas falam muito, né? Eu ouvi dentro de campo de uma das atletas que a gente […] só vinha pra bater. Mas, na verdade, quem teve uma jogadora machucada foi do nosso lado. Então, a gente tem que rever muita coisa aí, muita falta de respeito com a nossa Seleção, falar que a gente não sabe jogar bola, eu acho exagerado demais da parte delas. E assim, em relação à arbitragem, é escandaloso o que fizeram hoje. Expulsaram literalmente quatro atletas do nosso time a troco de nada. Acabaram com a festa linda que o torcedor veio fazer aqui, bater recorde, eu agradeço demais todos os torcedores aqui de Fortaleza que vieram, apoiaram, gritaram o tempo todo, aplaudiram no final mesmo com o resultado negativo.”

Após a partida, Kerolin também se manifestou pelas redes sociais. 

Últimas notícias:

plugins premium WordPress