A crise financeira e a indiferença que podem acabar com 20 anos de história do Dijon 

Foto: @dijonwomen / Instagram

Por Vivian Martinho

Foto: @dijonwomen / Instagram

A seção feminina do Dijon Football Côte d’Or (DFCO) atravessou, ao longo da temporada 2025/2026, uma crise que colocou em risco a continuidade de um projeto com vinte anos de história e oito temporadas consecutivas no mais alto nível do futebol feminino francês. Pra além de um caso polêmico por conta da ameaça de extinção em si, as próprias jogadoras tomaram conhecimento da situação pelas redes sociais do clube, o que não ajudou em nada a conter a comoção ao redor do caso.

No começo de abril de 2026, o Dijon publicou um comunicado informando que o time feminino acumulava um déficit de cerca de 1,5 milhões de euros apenas naquela temporada. Com isso, o clube declarava buscar ativamente um parceiro financeiro e advertia que, na ausência de um acordo, nenhuma garantia poderia ser dada quanto ao nível de competição das equipes para a temporada seguinte.

Apesar de apresentar esses números, outras fontes contam que, considerando a dívida total do Dijon de 5 milhões de euros, apenas 12%, ou seja, 600 mil, são relacionados à seção feminina do clube.  

O elenco do time só foi se pronunciar publicamente no dia 9 de abril, quando as jogadoras divulgaram uma carta aberta nas redes sociais. O texto denunciava uma gestão confusa e displicente, dizendo que as jogadoras se sentiam indesejáveis desde o início, e apontava que saber do possível fim da seção por um comunicado vago, sem qualquer diálogo prévio, teria sido a gota d’água para a equipe. 

Além do comunicado, as atletas passaram também a disputar os jogos seguintes com uma fita preta cobrindo o escudo do clube nos uniformes em sinal de protesto, e contaram também com a demissão do técnico da equipe principal, o que deixou a direção do clube ainda mais tensa.

O caso acabou saindo do controle do Dijon, e em 21 de abril, as capitães dos clubes da primeira e da segunda divisão da liga da França, a Première Ligue, publicaram uma tribuna coletiva no L’Équipe, denunciando a ausência de avanços nas negociações sobre uma convenção coletiva para jogadoras profissionais – proteção que o futebol masculino já possui há décadas. 

Mesmo já sem controle da situação, o Dijon ainda se viu em mais uma confusão, e na semana de 18 de maio, o jornal L’Équipe revelou que pais de jogadoras do centro de formação do Dijon teriam recebido uma mensagem de WhatsApp comunicando o encerramento da estrutura. O clube desmentiu a informação, afirmando que nenhuma decisão havia sido tomada e que, caso tais declarações tivessem sido feitas, elas teriam vindo de um membro do clube não habilitado a se expressar em nome do clube. Horas depois, o Dijon publicou novo comunicado garantindo que o centro de formação seria integralmente mantido. 

No último jogo da temporada em casa, contra o Paris FC, a equipe contou com a presença da prefeita de Dijon, que revelou ter contatos em andamento com um investidor estrangeiro que havia visitado as instalações do clube naquele mesmo dia, além de afirmar fazer tudo o que estava ao seu alcance para que a equipe pudesse continuar existindo. 

No dia 22 de maio, a resolução provisória foi anunciada pelo clube, que diz ter iniciado negociações exclusivas com investidor e confirmou que o centro de formação da base seria preservado. 

Mesmo com a resolução do caso ainda em aberto, o clube já conta com diversas saídas da equipe principal, que alegam não se sentirem seguras em continuar em um projeto que não as valoriza.

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