Brasil defende soberania histórica contra o Japão no mata-mata da Copa

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Com apenas uma derrota em toda a história do confronto, a Seleção Brasileira põe tabu e o fantasma de 2025 à prova nos 16 avos de final. | Foto: Reprodução/O Globo

O mata-mata da Copa do Mundo de 2026 bate à porta, e o primeiro desafio da Seleção Brasileira tem sabor de revanche e contornos de alerta. Líder do Grupo C, o Brasil enfrenta o Japão (segundo colocado do Grupo F) na fase de 16 avos de final, em Houston. O confronto relata um retrospecto de ampla soberania brasileira, mas carrega um fantasma recente que proíbe qualquer salto alto: os asiáticos já provaram que podem vencer a Amarelinha.

Ao longo de quase quatro décadas, a pergunta “o Brasil já perdeu para o Japão?” tinha uma resposta categórica: não. Isso mudou há menos de um ano, e o histórico ganhou uma nova e perigosa linha que serve de combustível para os Samurais Azuis.

O retrospecto geral: Domínio verde e amarelo

Historicamente, o confronto é marcado por uma sólida hegemonia do Brasil. Em 16 partidas disputadas desde 1989, a balança pende drasticamente para o lado sul-americano:

  • Vitórias do Brasil: 13
  • Empates: 2 (ambos na Copa das Confederações, em 2001 e 2005)
  • Vitórias do Japão: 1
  • Gols marcados: 39 do Brasil contra apenas 8 do Japão

A história começou em julho de 1989, no Maracanã, quando um gol magro de 1 a 0 marcou o primeiro teste de uma potência mundial contra um futebol japonês que sequer era profissional. Naquela tarde, o jovem goleiro Taffarel dava seus primeiros passos na Seleção. De lá para cá, o Brasil acumulou goleadas marcantes, como os 4 a 1 na Copa do Mundo de 2006 (com show de Ronaldo Fenômeno) e os 4 a 0 em um amistoso de 2014.

A dolorosa virada em 2025

Se o passado distante sorri para o torcedor brasileiro, o recente exige atenção. A única vitória da história do Japão sobre o Brasil aconteceu no dia 14 de outubro de 2025, em um amistoso internacional no Ajinomoto Stadium, em Tóquio, justamente o último duelo entre as equipes.

Já sob a gestão do técnico italiano Carlo Ancelotti, a Seleção Brasileira dava a impressão de que conquistaria mais uma vitória tranquila ao abrir 2 a 0 ainda no primeiro tempo, com gols de Paulo Henrique e Gabriel Martinelli. No entanto, a etapa final foi um pesadelo: com apagões defensivos, o Brasil sofreu a virada com gols de Minamino, um gol contra do zagueiro Fabrício Bruno e a cabeçada fatal de Ueda, selando o histórico 3 a 2 para os donos da casa.

Tabu em Copas e o “fator Zico”

Apesar do tropeço recente em amistoso, o Brasil se apega a outra estatística crucial: o retrospecto impecável contra seleções asiáticas em Copas do Mundo. São quatro jogos e quatro vitórias expressivas no torneio mais importante do planeta (4 a 0 na China em 2002; 4 a 1 no próprio Japão em 2006; 2 a 1 na Coreia do Norte em 2010; e 4 a 1 na Coreia do Sul em 2022). O Japão, inclusive, será o primeiro país da Ásia que o Brasil enfrenta duas vezes na história das Copas.

Há também um forte laço cultural entre as duas camisas. O futebol japonês se desenvolveu nos anos 1990 graças a ídolos brasileiros, tendo Zico como a figura máxima dessa transformação. Hoje, ocupando a 17ª posição no ranking da FIFA, o Japão deixou de ser um mero aprendiz para se tornar uma equipe altamente competitiva e veloz.

O retrospecto joga a favor do Brasil, mas a mentalidade precisa ser a de quem entra em campo sabendo que o adversário perdeu o respeito reverencial. Para Ancelotti e seus comandados, o confronto em Houston é a chance perfeita de apagar o vexame de 2025 e provar que, em Copas do Mundo, a hierarquia da Amarelinha ainda prevalece.

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