Análise tática: o que Ancelotti deveria mudar na Seleção para enfrentar o Haiti?

Ancelotti
Após empate na estreia, Seleção Brasileira busca ajustes táticos para vencer o Haiti. Confira a análise do que deve mudar sob o comando de Ancelotti. | Foto: Rafael Ribeiro / CBF

O Brasil volta a campo nesta sexta-feira (19/6), às 21h30, para enfrentar o Haiti pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo. A Seleção Brasileira, que estreou com um empate frustrante de 1 a 1 contra o Marrocos, busca a primeira vitória diante dos haitianos, que foram superados pela Escócia por 1 a 0 na primeira rodada. Pressionado pela torcida, que cobra mudanças após uma atuação abaixo da média, o técnico Carlo Ancelotti estuda alternativas. Confira a análise tática e as variações que o italiano deve testar neste confronto.

Como Ancelotti montou o time contra o Marrocos

O desempenho tático brasileiro foi marcado por falhas na saída de bola e fragilidade na transição defensiva. Escalada em um 4-4-2, a equipe iniciou o jogo com: Alisson, Ibañez, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães, Lucas Paquetá e Raphinha; Vinícius Jr. e Igor Thiago.

A equipe encontrou extremas dificuldades na construção das jogadas: Paquetá foi anulado pela marcação marroquina, os laterais permaneceram presos e Casemiro ficou sobrecarregado, sem opções de passe próximas. Sem a posse, a insistência em uma linha defensiva alta cobrou seu preço, o que expõe os zagueiros. O gol de empate do Marrocos evidenciou essa desorganização: um erro de passe no meio-campo deixou a estrutura brasileira totalmente exposta ao contra-ataque.

O Brasil também demonstrou uma forte dependência de jogadas individuais de Vinícius Júnior. Aberto pela esquerda, o atacante precisou recorrer constantemente à velocidade para criar desequilíbrios, sendo o responsável pelo gol brasileiro. Embora Ancelotti tenha lido o jogo no intervalo e promovido as entradas de Fabinho e Danilo, o que conferiu maior proteção defensiva e posse de bola, o time seguiu com dificuldade para criar chances claras. Na reta final, a equipe perdeu ainda mais a capacidade de articulação, sendo empurrada para trás e limitando-se a proteger o empate.

1. Saída Bloqueada: O Brasil iniciou no 4-4-2. Na saída de bola, os laterais ficaram presos, Paquetá foi anulado pela marcação e Casemiro ficou sobrecarregado sem opções de passe.
2. Linha Alta e o Erro: A insistência em manter a linha defensiva alta cobrou seu preço. Um erro de passe no meio-campo deixou os zagueiros totalmente expostos.
3. O Gol do Marrocos: O adversário aproveitou a desorganização, pegou a estrutura brasileira incapaz de interromper o contra-ataque e abriu o placar.
4. Dependência Individual: Sem repertório ofensivo, a equipe demonstrou forte dependência de Vinícius Júnior. Aberto pela esquerda, ele foi acionado.
5. A Jogada do Empate: Usando sua velocidade e explosão, Vini Jr. desequilibrou a forte estrutura marroquina, cortou para dentro e garantiu o gol de empate.
6. A Retranca do 2º Tempo: Ancelotti colocou Fabinho e Danilo. A equipe perdeu a articulação, foi empurrada para trás e limitou-se a proteger o 1 a 1 na defesa.
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O que fazer para melhorar o desempenho contra o Haiti?

Para o confronto contra os haitianos, Ancelotti pode promover ajustes na sustentação do meio-campo e na dinâmica dos corredores laterais.

Uma mudança promissora seria a titularidade de Fabinho na vaga de Casemiro. Com um volante fixo protegendo os zagueiros, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá ganhariam liberdade para avançar e qualificar o passe na intermediária ofensiva. Além disso, liberar os laterais, o que permite que um atue de forma aguda enquanto o outro compõe uma saída sustentada de três, daria a amplitude necessária para alargar a provável retranca do Haiti, o que criaria linhas de passe mais limpas.

Na fase ofensiva, a comissão técnica precisa implementar mecanismos de aproximação que reduzam a dependência excessiva de Vini Jr. Contra um adversário que deve se fechar em bloco baixo, o Brasil precisa movimentar a bola com passes rápidos, promovendo triangulações pelas pontas para infiltrar a área. Estimular os meias a explorarem o jogo entrelinhas e orientar o centroavante a flutuar para arrastar os zagueiros adversários criará os espaços necessários para finalizações de média distância.

1. A Nova Sustentação: Fabinho entra como volante fixo no lugar de Casemiro. Bruno Guimarães e Paquetá ganham liberdade para avançar e armar na intermediária ofensiva.
2. Saída Assimétrica: Um lateral fica para formar a “saída sustentada” com os zagueiros, enquanto o outro lateral avança agudamente pelo corredor esquerdo.
3. Alargando o Bloco: A subida agressiva do lateral dá amplitude ao ataque, alargando a linha defensiva baixa do Haiti e quebrando a compactação.
4. Triangulações Rápidas: A equipe aproxima e roda a bola com passes de um ou dois toques pelas pontas, reduzindo a “Vini-dependência” e quebrando o ritmo engessado.
5. Arrastando a Marcação: Os meias jogam entrelinhas. O centroavante flutua e recua, arrastando os zagueiros haitianos e abrindo um clarão na linha defensiva.
6. Infiltração e Finalização: Com a retranca adversária desorganizada, surgem as linhas de passe limpas para a infiltração em velocidade e a finalização com autoridade.
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